Negacionismo Climático no Brasil

Carlos R. S. Milani

Este projeto sobre o campo do negacionismo climático é coordenado por Carlos R. S. Milani e conta com a participação de Ruth Mckie (De Montfort University, UK) e da pesquisadora assistente Janaina Pinto. Parte da rede intitulada “The Climate Social Science Network”, da Brown University (EUA), o projeto visa a mapear redes, organizações e lideranças relevantes no amplo campo político do negacionismo climático no Brasil, respondendo a perguntas tais como: quais são as principais redes? Como se organizam? Quais são suas conexões transnacionais? Existem alguma relação entre religião e negacionismo climático no Brasil? Qual seria o perfil dos cientistas que participam dessas redes e organizações? A primeira fase do estudo está estruturada em torno de entrevistas com agentes do campo ambiental brasileiro. A segunda fase, ainda em elaboração, estará orientada para o estudo direto com lideranças e organizações do campo do negacionismo climático no Brasil.

Análise de conteúdo de discursos sobre mudanças climáticas

Pesquisadora coordenadora da pesquisa: Dra. Danielle Costa da Silva
Bolsista de IC: Beatriz Triani

A metodologia da análise de conteúdo é uma abordagem investigativa e descritiva do conteúdo de mensagens que não negligencia as influências sociais, políticas e econômicas, bem como o contexto histórico e geográfico no qual o pronunciamento está inserido. No projeto Análise de Conteúdo de Pronunciamentos Oficiais em matéria de Política Externa (ACPOLEX) do LABMUNDO, a análise de conteúdo é aplicada para converter materiais textuais em dados quantitativos e analisá-los de forma qualitativa para fins de deduções lógicas na verificação de hipóteses, no levantamento de questões ou pressupostos, para a sua confirmação ou refutação. Essa metodologia analítica, quantitativa e qualitativa, busca viabilizar ao pesquisador a produção de material empírico explicativo, interpretativo ou descritivo analiticamente denso, além de permitir identificar frequências, ocorrências e coocorrências de tópicos ou categorias. O principal objetivo deste projeto é empregar a metodologia da análise de conteúdo para analisar a agenda do meio ambiente e o tratamento da pauta das mudanças climáticas na política externa brasileira, posteriormente de outras potências regionais do Sul. A partir das análises de conteúdo, poderão ser feitas: a identificação dos pronunciamentos que abordam as questões relativas ao meio ambiente e às mudanças climáticas; a categorização do conteúdo encontrado para quantificar quais tópicos foram (ou não) abordados e de que maneiro o foram, tais como desenvolvimento sustentável, proteção ambiental ou redução de CO2; a análise qualitativa dos conteúdos categorizados para a averiguação das ideias e objetivos específicos dos períodos governamentais.

A agenda verde europeia nas instituições e na sociedade

Ana Paula B. Tostes

O foco de atividades sobre a agenda verde europeia se sustenta no aumento da relevância do tema na Europa em duas vertentes abaixo descritas, e pode ser desenvolvido em atividades de pesquisa, proposta de cursos e palestras. A primeira vertente é a da implementação do “Acordo Verde” da Comissão Europeia, lançado em dezembro de 2019, e a segunda se refere ao aumento do suporte eleitoral a partidos verdes, identificado em eleições na Europa no mesmo ano. O “Acordo Verde Europeu” que visa criar, no âmbito das políticas regionais da União, uma série de iniciativas e pacotes legislativos que promovam a transformação da Europa no primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050. Ao mesmo tempo, vimos no âmbito da sociedade civil um suporte a essa agenda com o aumento de votos em partidos verdes, tanto em eleições nacionais quanto na eleição para o Parlamento Europeu. Seria a agenda verde uma alternativa sustentável aos extremismos ideológicos e um reflexo de mudanças de enfoque sobre impactos ambientais relacionados à economia e imigração?

Impactos socioambientais dos investimentos chineses no Brasil: o caso da Amazônia

Mauricio Santoro

O objetivo geral deste projeto é entender as consequências dos investimentos chineses na Amazônia brasileira para a mudança climática e populações locais, com ênfase em três setores econômicos-chave: agronegócio, energia e mineração. Essa preocupação se encaixa em um contexto de crescente internacionalização das empresas da China a partir da década de 2000 para outros países do Sul Global, motivado essencialmente pela busca de matérias-primas e de alimentos. A Amazônia é um local prioritário para esse tipo de estudo porque a expansão econômica na região tem sido frequentemente destacada internacionalmente por seus impactos negativos para o aquecimento global e para o bem-estar das populações locais. São exemplos desses processos o desmatamento para criação de gado ou plantações de soja, os conflitos socioambientais em torno da construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, e as tensões acerca da expansão da mineração.

Teoria social e mudanças climáticas

José Maurício Domingues

Meu interesse no tema da mudança climática se desdobra a partir da teoria social e em particular, este momento, da sociologia política, além de ser, em si, esta questão de suma importância para o mundo contemporâneo. Na medida em que a modernidade, no cerne de seu imaginário e em suas instituições, assim como práticas, definiu a “natureza” como exterior à “sociedade”, a primeira somente surge como possível objeto de intervenção política. Como tratar desse problema teórica e praticamente, em face do enorme desafio de mudar a trajetória do aquecimento global, entre outros problemas gerados pela mudança climática é, portanto, o que especialmente me ocupa.

Construção Social do Meio Ambiente

Elza Neffa

A pesquisa Realidades Complexas e Saber Ambiental: alternativas metodológicas em ambiente e sociedade desenvolve estudos empíricos e reflexões teóricas buscando o entendimento dos processos de construção social do meio ambiente relacionados às temáticas: ecologia política; conflitos e vulnerabilidades socioambientais; desenvolvimento local; políticas públicas; educação e ética ambiental; turismo e metodologias processuais, visando à afirmação do potencial transformador e crítico do saber ambiental que impulsiona o ator social para o desvelamento da realidade, a ação política coletiva e a autonomia individual.