1º Seminário Latino-Americano sobreJustiça Climática
Transição justa e racismo ambiental
Mesa Temática4 de novembro de 2026, quarta-feira, das 14h às 16h Auditório Jaime Antunes (Sala 9042 F)
Resumo da mesa:
A transição energética é um dos principais pilares das estratégias de mitigação das mudanças climáticas, envolvendo a substituição gradual dos combustíveis fósseis por fontes renováveis de energia. Contudo, uma abordagem exclusivamente técnica e econômica, focada apenas na dimensão energética das profundas transformações necessárias, pode desconsiderar os impactos sociais e ambientais gerados sobre comunidades, ecossistemas e grupos vulneráveis. A eletrificação de veículos no Norte Global (incluindo aqui as classes mais privilegiadas na América Latina) pressupõe o acesso a minerais críticos e terras raras, a instalação de usinas de energia eólica e solar, o uso de recursos hídricos em contexto de escassez hidrossocial, entre outras dimensões dos debates sobre justiça climática. A redução das emissões em alguns contextos não pode, mais uma vez, ser implementada de modo assimétrico; não pode ignorar um conjunto de outras transições fundamentais no campo ecológico, social e cultural, por exemplo, quanto a estilos de vida e padrões de consumo. Desconsiderar as diferentes dimensões da justiça climática pode levar a uma transição injusta, marcada por desigualdades na distribuição de danos e benefícios, bem como na perpetuação de zonas de sacrifício da transição em curso. Nesse sentido, a perspectiva da justiça climática destaca a necessidade de incorporar dimensões distributivas, participativas, de reconhecimento, restaurativas e de capacidades diferenciadas dos indivíduos, grupos, territórios e Estados, contribuindo para enfrentar o racismo ambiental e outras formas de discriminação nos territórios periféricos da América Latina.
Palestrantes

Maritza Paredes
Doutora em Desenvolvimento Internacional pela Universidade de Oxford, é professora da Pontifícia Universidade Católica do Peru. Atua interseção entre a sociologia política e a economia política do meio ambiente, com foco específico nos países andinos e em suas regiões amazônicas. Sua pesquisa analisa a economia política do desmatamento e da conservação, o poder político das economias extrativistas legais e ilegais e as demandas de justiça climática dos povos indígenas e das comunidades locais.

Thaigon Arapiun
Fotógrafo e comunicador indígena do povo Arapiun, da Aldeia Nova Vista, Terra Indígena Terra Preta, em Santarém (PA). Estudante de Cinema e Audiovisual na UFPA. Fundou o coletivo indígena Kirimbawa Ita, voltado para o a formação de novas lideranças da juventude indígena, comunicação e projetos ligados ao território. Também integra a Rede de Comunicadores da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.

Beatriz Mattos
Doutora em Relações Internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, é coordenadora de Projetos e Pesquisa da Plataforma CIPÓ e professora do curso de Relações Internacionais da Universidade Veiga de Almeida (UVA). Nos últimos anos, tem acompanhado as negociações multilaterais sobre transição ecológica justa e contribuído com análises técnicas em fóruns como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o G20 e o BRICS. Foi pesquisadora visitante do programa Mistra Geopolitics, no Departamento de Estudos Temáticos da Universidade de Linköping, na Suécia; co-coordenadora da Plataforma Socioambiental do BRICS Policy Center; e consultora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Cledisson Júnior
Antropólogo, doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da UFRRJ e mestre em Desenvolvimento Rural pela UFRGS. Ocupa atualmente o cargo de Secretario de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial do Ministério da Igualdade Racial. Sua trajetória como estrategista em movimentos sociais, organizações do terceiro setor e órgãos públicos tem como foco a defesa de direitos, o fortalecimento da democracia e a construção de coalizões e lideranças com base na autonomia e liberdade.

Mariana Castro
Doutora em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP-UERJ), com doutorado-sanduíche no German Institute of Global and Area Studies, e mestra pelo Programa de Pós Graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH UFRJ). Pesquisadora dedicada à área de Ativismo e Mudanças Climáticas e coautora do livro "Antropoceno, mudanças climáticas e ciências sociais no Brasil" (Mórula, 2024), parte da Coleção Emergência Climática. Integra também o Laboratório de Análise Política Munddial (LABMUNDO)